"Avaliação gratuita" é, provavelmente, a frase mais repetida em anúncio de consultório odontológico no Brasil. E é uma das que mais aparecem em processos éticos. A dúvida chega à agência quase sempre do mesmo jeito: "todo mundo faz, por que eu não posso?". Porque o texto do Código é direto, e "todo mundo faz" não é defesa.
O que diz a regra
O artigo 44 do Código de Ética Odontológica lista como infração ética, já no inciso I, fazer publicidade e propaganda com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia. O inciso IX completa: é vedado oferecer trabalho gratuito com intenção de autopromoção. A gratuidade em si, decidida no consultório, não é o problema. O problema é transformá-la em argumento de venda num anúncio.
Isso vale para o anúncio pago, o post orgânico, a fachada, o folheto e a mensagem em massa no WhatsApp. Também vale para a agência ou a plataforma que divulga em nome do consultório: a responsabilidade ética continua sendo do dentista e do responsável técnico.
Como anunciar a primeira consulta sem infração
Troque o "grátis" pelo que acontece na consulta
Em vez de "avaliação gratuita", descreva o que a pessoa vai encontrar: "na primeira consulta, o dentista examina, explica o que encontrou e apresenta as opções de tratamento". É o que o paciente quer saber, e não cria a percepção de que a odontologia é mercadoria em liquidação.
Apresente quem atende
O artigo 43 do Código permite divulgar nome, número de inscrição no CRO, especialidades registradas, endereço, horário e convênios. Um vídeo curto do dentista se apresentando, com nome e CRO na tela, gera mais confiança do que qualquer oferta. A Resolução CFO-196/2019 permite ainda selfie com paciente e imagens de diagnóstico e conclusão, com autorização.
Fale do problema, não do preço
Dor ao mastigar, gengiva que sangra, dente que escureceu, prótese que machuca. Anúncios que nomeiam a situação do paciente atraem quem precisa de tratamento, enquanto anúncios de gratuidade atraem, com frequência, quem só quer saber o preço e some.
Deixe a conversa sobre valores para o atendimento
O paciente vai perguntar se a consulta é cobrada. Responda de forma individual, no WhatsApp ou no telefone, com clareza. Informar o valor a quem pergunta não é publicidade; anunciar para todos é.
Meça a qualidade, não só a quantidade
Compare quantos agendamentos viraram tratamento. Clínicas que tiram o "grátis" do anúncio às vezes recebem menos mensagens, mas com mais gente disposta a tratar, e o custo por tratamento iniciado tende a refletir isso.
E os convênios?
Dizer que atende determinado plano é permitido pelo artigo 43. Dizer "consulta sem custo pelo convênio" volta a cair no inciso I do artigo 44, porque transforma gratuidade em chamariz. A informação correta é simples: "atendemos o plano X", com a lista atualizada no Perfil da Empresa do Google.
Catanduva e o boca a boca
Catanduva tinha 115.791 moradores no Censo 2022 do IBGE. Em cidade desse tamanho, os consultórios se conhecem, e um anúncio fora da regra é visto por colegas que podem denunciar ao conselho. Ao mesmo tempo, a concorrência no Google costuma ser menor do que em cidades grandes, e uma campanha bem feita, com o nome da cidade e dos tratamentos, ocupa o topo sem precisar de oferta.
O que a QW-ADS faz no consultório
A QW-ADS reescreve os anúncios do dentista de Catanduva sem gratuidade, preço ou forma de pagamento, conferindo cada peça pelo Código de Ética e pela Resolução CFO-196/2019, cria as campanhas no Google e no Meta, prepara as respostas do WhatsApp para a pergunta sobre o valor da consulta e mostra no painel do cliente quantos agendamentos e tratamentos vieram de cada anúncio.