Na loja de roupas da avenida, "clareamento de preços: 50% off" é estratégia de vendas. No consultório odontológico de Franca, a mesma lógica aplicada ao clareamento dental é infração ética. Essa diferença confunde muito dentista, principalmente quando o concorrente da outra rua publica "clareamento por R$ 299 só este mês" e parece não acontecer nada. Acontece: o Conselho Regional recebe denúncias de colegas e de pacientes, e a pena vai de advertência a multa.
Vale entender o que diz a regra, o que mudou em 2025 e, principalmente, o que dá para fazer no lugar do preço.
O que o Código de Ética proíbe
O artigo 44, inciso I, do Código de Ética Odontológica considera infração fazer publicidade com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia. O mesmo código veda, no artigo 32, oferecer serviços como bonificação em sorteios, premiações e promoções, e, no artigo 44, a palavra "popular" para atrair clientela. Isso alcança post, story, anúncio pago, panfleto, fachada e mensagem em massa.
Na prática, ficam de fora do anúncio de clareamento: valor em reais, "a partir de", "em até 10 vezes", "clareamento grátis na manutenção", "leve dois, pague um" e campanhas de Black Friday.
O que mudou com a Resolução CFO-271/2025
Em junho de 2025, por determinação do CADE, o CFO publicou a Resolução CFO-271/2025. Ela revogou o inciso que tornava infração a participação de dentistas em cartões de desconto e mudou a redação do inciso XIV do artigo 44. Segundo a análise do Legismap, anúncio de serviço gratuito e propaganda com preço continuam proibidos. Ou seja: o consultório pode ter relação com cartão de desconto sem infração automática, mas não pode estampar o preço do clareamento num anúncio.
O CFO também mantém um grupo de estudo para revisar o capítulo de publicidade do código. Até que um texto novo seja publicado, vale a regra atual.
O que o anúncio de clareamento pode dizer
O artigo 43 lista o que pode constar: nome e número de inscrição, especialidade registrada, endereço, telefone, horário de atendimento e convênios aceitos. Somado ao conteúdo educativo, isso já rende anúncios fortes:
- A diferença entre clareamento de consultório e clareamento caseiro supervisionado, e quando cada um é indicado.
- Por que é preciso avaliar antes: restaurações e coroas não clareiam, e a sensibilidade precisa ser acompanhada.
- O que o paciente deve evitar durante o tratamento, explicado pelo próprio dentista em vídeo.
- O horário estendido ou de sábado, se o consultório tiver, que conta muito para quem trabalha no comércio e na indústria da cidade.
E o preço? O parágrafo único do artigo 19 manda o dentista comunicar previamente ao paciente os custos do tratamento. O lugar disso é a conversa individual no WhatsApp ou a avaliação, depois de entender o caso, e não a propaganda dirigida a todo mundo.
Franca: concorrência alta, verba que precisa render
Franca tinha 352.536 moradores no Censo 2022 do IBGE, e o clareamento é a porta de entrada de muitos consultórios: um tratamento mais simples que, bem atendido, vira paciente de longo prazo. Uma parte importante do público de 35 anos ou mais ainda decide pelo Facebook, que alcançava 109 milhões de pessoas com anúncios no Brasil no fim de 2025, segundo o DataReportal. Sem poder competir por preço, quem ganha é o consultório que explica melhor e responde mais rápido.
Como a QW-ADS trabalha com consultórios de Franca
Criamos campanhas de clareamento no Google e no Meta que vendem a avaliação, não o desconto. Cada peça passa pela régua do artigo 44 antes de ir ao ar, o atendimento no WhatsApp ganha roteiro para informar valores de forma individual e ética, e o painel do cliente mostra quantas avaliações de clareamento viraram tratamento, e quantas delas voltaram para outros procedimentos depois.